Notícias

Olhar atento para o emocional do aluno precisa respeitar a individualidade

A quarta etapa da Jornada do selo Azul - Elaboração, discute a importância de manter um olhar atento, respeitar o tempo de cada um e falar abertamente sobre o luto.

Manter um olhar atento para a saúde mental tornou-se algo ainda mais necessário durante o período de isolamento social, e os professores e gestores, que mal tiveram tempo de se acostumar com a situação de crise, já começam a se deparar com o debate à respeito do retorno das aulas presenciais. Processo que demandará cautela, e um olhar atento não só aos alunos, mas à toda comunidade escolar. Pensando em maneiras de apoiar gestores e educadores nesse momento, o LIV (Laboratório Inteligência de Vida) desenvolveu a Jornada do Selo Azul, uma trilha dividida em 5 etapas que propõem reflexões sobre como o momento vivido influenciou a saúde mental de gestores, professores e alunos.

Na primeira etapa da Jornada, foi apresentado o Guia de Acolhimento, um documento com sugestões de ideias, ações e atividades que inspirem e envolvam toda a comunidade escolar, amenizando os impactos da retomada, independente de quando ela aconteça.  O documento é dividido em três tempos, sendo eles: 1. Acolhimento, 2. Elaboração; e 3. Ancorada. Cada um contendo temas reflexivos e sugestões de ações que podem ser colocadas em prática.

A segunda etapa do guia, Elaboração, gira em torno de dois principais temas de reflexão: “Como estará a saúde mental das pessoas?” e “Como vamos cuidar dos que perderam entes queridos?”. Membros da comunidade escolar podem ter vivido situações difíceis e desafiadoras, e nesse cenário também é função da escola estar atenta à essas pessoas e oferecer o apoio emocional necessário. “Nesse sentido, convocamos que as pessoas observem os alunos durante as aulas ou interações em outros espaços para entender se mostram algum comportamento distinto do seu usual” diz Ana Carolina Medeiros, Coordenadora Pedagógica do LIV. 

Uma das sugestões oferecidas pelo guia, é instruir funcionários da escola a manter um “comportamento de vigilância” constante, ou seja, estar atento para mudanças de comportamento,  e conversar com os alunos sobre as experiências que tiveram ao longo do período de isolamento social. O mais importante, é se mostrar aberto para respostas e sentimentos negativos, trocar o “espero que estejam bem!” pelo “Está tudo bem? Como podemos ajudar?”. “Pore?m, tambe?m deixamos claro, atrave?s de um vi?deo reflexivo que essas perguntas devem ser feitas de maneira na?o inquisito?ria, evitando que o aluno se sinta pressionado a compartilhar seus sentimentos”, diz Ana Carolina.

Afinal, falar sobre emoções e sobre o luto é algo pessoal, mas que também pode ser tratado de maneira coletiva. Para a coordenadora do LIV, a chave é convidar os alunos a participar das atividades e não obrigar, respeitando sempre a individualidade de cada um e reiterando a informação de que aquele é um espaço seguro e de não julgamento.

Pensar em ações que envolvam a escola como um todo também pode ser uma boa saída, como por exemplo a criação de um correio, em que os estudantes possam deixar mensagens para os colegas, dessa maneira mesmo com o rodízio de alunos ainda é possível manter os vínculos com os amigos mais próximos.

A situação da pandemia de COVID-19 pode ser usada para refletir sobre a importância de tratar o tema da saúde mental. Afinal, “O acolhimento e criação de espaços de fala e escuta precisam ser desenvolvidos de forma intencional e continuada”, explica Ana Carolina, “e isso pode ocorrer de diversas formas, como criar rodas de conversa com alunos mais velhos sobre seus sentimentos diante de uma situação específica ou leitura de histórias em que o professor conduza uma reflexão sobre sentimentos abordados.”

Parceira Porvir com LIV

Fonte: Portal Porvir - LIV - Beatriz Cavallin

author Advice