Como a gestão escolar pode usar a coleta de dados a seu favor
Uso de evidências permite que diretores equilibrem demandas de professores, como inteligência artificial, com a saúde financeira da instituição
Liderar uma escola requer diferentes conhecimentos e habilidades. Além de entender de políticas pedagógicas e dos processos rotineiros de um ambiente escolar, é preciso saber tomar decisões. E decidir com base em informações qualificadas auxiliam o dia a dia do gestor escolar e até mesmo o planejamento do ano letivo.
Recente estudo da Certificação EX, desenvolvido pelo ecossistema Escolas Exponenciais (EX), mostrou que entre os assuntos considerados prioritários para os professores são: inclusão e diversidade (63%) e uso prático de inteligência artificial (IA) na educação (57%). O que a gestão escolar pode fazer a partir destes dados?
Em uma ordem inversa, essas preocupações também são da gestão, com o uso de IA na terceira posição (43%) e educação inclusiva em quarto (38%).
“O acompanhamento de dados gera uma transformação profunda na gestão escolar, que deixa de ser baseada apenas em intuição e passa a ser guiada por evidências. A curto prazo, o impacto mais imediato é o alinhamento de expectativas e a eficiência operacional”, aponta Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações educacionais da Arco Educação.
Cultura de evidências
A coleta de dados sobre a saúde financeira e as demandas dos professores não deve ficar represada. Essas informações servem para identificar lacunas entre o que a escola planeja e o que a sala de aula exige. Para Ademar, essa postura qualifica as reuniões e permite decisões assertivas.
A médio e longo prazo, os dados garantem a sustentabilidade do negócio. “Eles dão segurança para investir em novos projetos e tecnologias. O dado transformado em cultura escolar resulta em melhoria contínua da aprendizagem e na liderança perante o mercado”, diz o executivo da Arco Educação.
Impactos a médio e longo prazo
Há efeitos imediatos de decisões amparadas em dados. Além disso, a longo e médio prazos as escolas conseguirão perceber mudanças tanto no crescimento estratégico, quanto na própria sustentabilidade da escola.
“Os dados dão ao gestor a segurança necessária para pensar em novos projetos e melhorias tecnológicas, permitindo que a escola saia do modo de sobrevivência e passe a atuar com alta performance. O dado transformado em cultura escolar resulta em uma melhoria contínua dos resultados de aprendizagem, garantindo que a escola não apenas acompanhe as mudanças do setor, mas as lidere”, afirma o educador.
Foco no fator humano
Após entender o valor dos dados, é preciso saber utilizá-los. Ademar destaca que é fundamental entender os números a partir de uma perspectiva humana e transformá-los em parte da cultura escolar.
“O processo começa com o que chamamos de leitura pedagógica: não basta olhar para as estatísticas, é preciso cruzar esses indicadores com a realidade da sala de aula. Na prática, isso significa levar os dados para as reuniões e promover um diálogo transparente com o corpo docente. Como as prioridades da gestão [como a retenção de alunos] muitas vezes diferem das urgências dos professores [como inclusão e IA], as ações devem fechar essa lacuna”, sugere.
Liderança com transparência
Outra estratégia é usar a transparência para fundamentar ações ou justificar formações continuadas. Para ele, esse compartilhamento de informações – seja com o corpo docente ou mesmo com as famílias – ajuda a balancear as expectativas desses diferentes atores.
“A tomada de decisão deixa de ser um movimento isolado da diretoria e se torna um esforço coletivo baseado em evidências, onde cada investimento em tecnologia ou nova metodologia é justificado por uma demanda real. O segredo é usar o dado como uma bússola para o crescimento sustentável”, destaca.
A transparência cria segurança na comunidade escolar, que passa a entender o cenário e como as demandas podem ser acomodadas no planejamento. Segundo o professor, isso permite transformar uma gestão centralizada em uma cultura de alto desempenho, gerando confiança.
Engajamento e retenção
Apresentar dados sobre a organização é uma chance de apontar desafios. Essa previsibilidade diminui ruídos de comunicação e delimita prioridades.
De acordo com Ademar, existe uma diferença entre o que o gestor foca e o que o professor vive. “A transparência permite que ambos os lados compreendam as dores um do outro. Isso cria um ambiente de corresponsabilidade.”
Nas escolas particulares, essa colaboração permite que professores dimensionem preocupações como saúde financeira e fidelização das famílias. A pesquisa Escolas Exponenciais mostrou que, entre os gestores, a retenção de famílias (66%) e a formação continuada (65%) lideram as prioridades.
A pesquisa desenvolvida pelo Escolas Exponenciais mostrou que, entre os gestores de escolas privadas, a retenção e fidelização das famílias (66%) e a formação continuada (65%) lideram a lista de prioridades.
Quando a equipe entende as metas, ela entrega com mais qualidade, pontua Ademar. “Isso impacta diretamente na percepção das famílias e, consequentemente, nos resultados de aprendizagem e na retenção.”
Revisão periódica
O ideal é que não seja uma ação isolada. O executivo da Arco Educação destaca que marcos trimestrais de revisão são fundamentais para compartilhar avanços e reajustes.
“Manter um canal aberto evita o distanciamento entre a diretoria e o corpo docente, garantindo que as escolas continuem resilientes”, ressalta.
Fonte: Portal Porvir - Ruam Oliveira
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