6 bons motivos para criar um clube de checagem na escola
Desenvolver habilidades como pensamento crítico e autonomia torna-se mais prático quando os estudantes participam de projetos que investigam a veracidade das informações
Em outubro de 2026, o Brasil passará por um processo eleitoral que vai definir o novo presidente do país, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Com a campanha política já em andamento, não é difícil encontrar casos envolvendo desinformação e notícias falsas remetendo a alguns dos candidatos.
Junto a esse cenário, há também o avanço de ferramentas de inteligência artificial, que têm possibilitado a criação de vídeos, fotos e textos que demandam verificações. Como identificar o que é fato do que é fake?
Preparar os estudantes para checar o que é verdadeiro e o que é falso é um dos movimentos estratégicos que um clube de checagem nas escolas pode desenvolver. Criar esse espaço na escola está diretamente ligado a diversas competências gerais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) como a competência 2 (Pensamento Científico e Crítico), a 5 (Cultura Digital) e a 10 (Responsabilidade e Cidadania).
E mais: um clube de checagem pode também render reconhecimento nacional e uma premiação, como o Prêmio #FakeTôFora, promovido pelo Instituto Palavra Aberta e com apoio do Porvir. A premiação concede prêmios em dinheiro para projetos, assim como kits didáticos do EducaMídia, mentorias e a chance de ter uma reportagem detalhada no Porvir sobre a sua experiência.
Para concorrer, é necessário implementar o clube em sua escola até o dia 30 de setembro. Em outubro, professores devem enviar evidências da implementação do clube ao site do #FakeTôFora, que posteriormente passarão por uma avaliação de um júri especializado, que escolherá três vencedores. O anúncio final será em novembro de 2026.
Além da premiação, confira mais bons motivos para criar um núcleo de educação midiática com sua turma.
1) Conecte-se ao dia a dia dos dos estudantes
A intensa circulação de conteúdos no ambiente digital faz com que a existência de leitores críticos e cidadãos conscientes seja cada vez mais necessária. A melhor forma de treinar o olhar dos estudantes é trazê-los para situações práticas.
Um clube de checagem aborda situações reais do cotidiano dos alunos e de suas famílias, capacitando-os a identificar links falsos de e-commerce, esquemas de apostas enganosas e boatos sobre a segurança física no ambiente escolar. O aprendizado converte-se em proteção prática para não só para o orçamento, bem como para a o cotidiano das famílias.
2) Invista no pensamento crítico
A BNCC traz propostas como a investigação de algoritmos e combate ativo à desinformação. Para que sejam capazes de avaliar, analisar, argumentar criticamente e mesmo produzir textos e peças como vídeos ou infográficos, os estudantes precisarão de suporte e apoio para iniciar essa jornada. O olhar crítico para as informações que recebem faz com que os estudantes pausem o consumo impulsivo de informação e comecem a questionar as fontes e sua credibilidade antes de passá-las adiante.
Conheça o Mapa Brasileiro da Educação Midiática
Com o objetivo de apoiar a construção de estratégias que ampliem o acesso à informação de qualidade, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática foi desenvolvido pela SECOM/PR (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), governo do Reino Unido em parceria com o Porvir.
A iniciativa organiza práticas e recursos para inspirar ações em frentes como a educação básica, o ensino superior, a sociedade civil e a gestão pública. Atualmente, a plataforma interativa reúne 523 projetos mapeados por todo o país e um diagnóstico sobre a formação cidadã no Brasil.
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3) Promova autonomia e protagonismo juvenil
Aprender a verificar informações é algo que pode ser feito desde cedo. Mas é na adolescência que muitos se envolvem mais ativamente com conteúdos vindos das redes sociais ou de sites na internet, além daqueles que são veiculados em aplicativos de mensagens.
Com um clube de checagem, os alunos podem assumir um papel de liderança na investigação ou criação de conteúdos. Quando eles próprios são os responsáveis por explicar a checagem, o alcance e aderência entre os colegas tende a ser melhor do que palestras ou aulas expositivas tradicionais.
4) Combata o negacionismo científico
Não são só informações a respeito de questões políticas que precisam ser verificadas. Circulam na internet também muitos dados e afirmações inverídicas sobre a ciência e o meio ambiente. Você deve lembrar de algo semelhante quando as vacinas contra a Covid-19 surgiram, com uma “guerra” nas redes sociais inflamada por aqueles que questionavam sua eficácia ou até mesmo a necessidade de medidas preventivas de saúde.
Ao aplicar técnicas de checagem a temas de saúde, biologia e meio ambiente, os alunos aprendem a diferenciar estudos validados por evidências de promessas de curas milagrosas ou boatos anticiência, fortalecendo a valorização do método científico.
5) Amplie a formação cidadã
Em período eleitoral ou não, os clubes de checagem servem também para fortalecer o perfil cidadão dos estudantes. Ao ingressar em pesquisas sobre como funcionam os processos eleitorais, qual o papel de cada pessoa na manutenção da democracia e como os partidos políticos funcionam, os estudantes aprendem a identificar quando uma informação não é verídica ou requer maior aprofundamento.
Ao ter contato com esses conceitos, os estudantes também descobrem como sustentar argumentos com base em evidências, assim como respeitar o contraditório e entender o que é ético.
6) Fortaleça o trabalho interdisciplinar
Existem notícias e informações sobre os mais variados assuntos e, assim como elas, há também desinformação e notícias falsas na mesma proporção. Temas como História, filosofia, matemática ou literatura, podem ser mote de debates em um clube de checagem. Nesses grupos os estudantes podem, inclusive, mesclar temas e investigar de forma conjunta informações vindas de áreas diversas do conhecimento.
Fonte: Portal Porvir - Vinícius de Oliveira
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